A Ponte da Amizade é muito mais do que uma ligação física entre países. Ela representa um dos principais corredores internacionais de compras do Brasil e a principal conexão terrestre entre Foz do Iguaçu (PR) e Ciudad del Este (Paraguai). Todos os dias, milhares de brasileiros atravessam a fronteira motivados pelos preços competitivos, pela variedade de produtos e pela tradição comercial da região. No entanto, tão importante quanto planejar as compras é compreender o funcionamento da Aduana da Ponte da Amizade, etapa decisiva para garantir um retorno tranquilo ao Brasil.
É justamente no retorno que surgem as maiores dúvidas: quanto posso comprar sem pagar imposto? O que acontece se eu ultrapassar a cota? Como funciona a fiscalização da Receita Federal? Preciso declarar minhas compras? Este guia foi criado para responder a essas perguntas de forma clara, objetiva e com autoridade, ajudando o viajante a entender as regras, evitar erros comuns e atravessar a fronteira com segurança jurídica e tranquilidade.
Aqui você encontrará um panorama completo sobre a atuação da Receita Federal do Brasil, a Cota de Isenção, a Declaração Eletrônica de Bens do Viajante (E-DBV) e as boas práticas que fazem toda a diferença na Aduana da Ponte da Amizade.

👮 O Que é a Aduana e Qual é Seu Papel na Ponte da Amizade
A Aduana da Ponte da Amizade é o órgão responsável pelo controle e fiscalização da entrada de mercadorias no Brasil na fronteira entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. Ela é administrada pela Receita Federal do Brasil (RFB) e atua como a principal autoridade aduaneira no retorno de viajantes que realizam compras no Paraguai.
Na prática, a Aduana existe para garantir que todas as mercadorias que entram no país estejam de acordo com a legislação brasileira. Isso inclui o recolhimento correto de impostos, o cumprimento da Cota de Isenção, o controle de quantidades permitidas e a proibição de produtos ilegais ou destinados à revenda irregular. Em uma fronteira com fluxo intenso como a da Ponte da Amizade, esse papel se torna ainda mais estratégico.
É importante entender que o funcionamento da Aduana se concentra, sobretudo, na volta ao Brasil. Ao atravessar a ponte em direção ao Paraguai, normalmente há apenas verificações pontuais de documentos. Já no retorno a Foz do Iguaçu, todo viajante está sujeito à fiscalização, independentemente de estar a pé, de carro, em ônibus de linha ou em vans de turismo.
O papel da Aduana na Ponte da Amizade pode ser resumido em quatro funções principais. A primeira é o controle tributário, garantindo que compras acima da cota de isenção sejam corretamente declaradas e tributadas. A segunda é o combate ao contrabando e ao descaminho, impedindo a entrada de produtos sem recolhimento de impostos ou de origem irregular. A terceira função é a proteção do consumidor e do mercado interno, evitando a circulação de mercadorias falsificadas ou proibidas. Por fim, a Aduana também atua na segurança sanitária e econômica, barrando produtos que possam representar riscos à saúde ou à economia nacional.
Outro ponto fundamental é que a Aduana não tem como objetivo impedir o turismo de compras ou dificultar a vida do viajante. Pelo contrário, sua função é organizar e regulamentar esse fluxo intenso de mercadorias, oferecendo ao cidadão a possibilidade de comprar no exterior de forma legal. Quando o viajante conhece as regras, respeita a Cota de Isenção e declara corretamente o que ultrapassa os limites permitidos, a passagem pela Aduana tende a ser rápida e tranquila.
Na Ponte da Amizade, a atuação da Receita Federal é baseada em critérios de análise de risco. Isso significa que a fiscalização pode variar conforme o volume de compras, o tipo de mercadoria, o meio de transporte e o histórico do viajante. Por esse motivo, mesmo quem atravessa a fronteira com frequência deve estar sempre atento às regras atualizadas e preparado para apresentar notas fiscais e esclarecimentos, caso seja solicitado.
Em resumo, a Aduana na Ponte da Amizade é o ponto-chave que garante que a travessia entre Brasil e Paraguai aconteça de forma legal, segura e organizada. Com informação e planejamento, o viajante transforma a fiscalização em apenas mais uma etapa natural da viagem, evitando multas, apreensões e transtornos desnecessários.
A Regra Central: A Cota de Isenção Terrestre
A Cota de Isenção Terrestre é a regra mais importante para quem atravessa a Ponte da Amizade e retorna ao Brasil após realizar compras em Ciudad del Este. Ela define o valor máximo de mercadorias que um viajante pode trazer do exterior sem pagar imposto à Receita Federal do Brasil, sendo o principal ponto de atenção na Aduana.
Atualmente, a Cota de Isenção para viagens terrestres é de US$ 500,00 por pessoa. Esse valor corresponde ao total das compras realizadas fora do país e que podem ingressar legalmente no Brasil sem tributação, desde que respeitadas todas as demais regras de quantidade e tipo de produto. A cota é individual, pessoal e intransferível. Isso significa que cada viajante possui o seu próprio limite e não é permitido somar cotas entre pessoas para aumentar o valor de compras de um único passageiro. Mesmo membros da mesma família ou grupo não podem “juntar” cotas para um só comprador.
Outro ponto essencial é a periodicidade da cota. A Cota de Isenção Terrestre é renovada a cada 30 dias. Se o viajante utilizou a cota recentemente, ela não estará disponível novamente até que esse prazo seja cumprido. Muitos problemas na Aduana acontecem justamente por desconhecimento dessa regra. Todos os bens novos adquiridos no Paraguai entram no cálculo da cota, como eletrônicos, perfumes, roupas novas, bebidas, relógios e acessórios em geral. O valor considerado é o preço efetivamente pago, comprovado por nota fiscal. Caso não haja nota, a Receita Federal pode estimar o valor do produto, geralmente de forma mais elevada.
Alguns itens, porém, são considerados de uso pessoal e não entram na Cota de Isenção, desde que estejam em quantidades compatíveis com uma viagem comum. É o caso de um telefone celular em uso, roupas usadas, produtos de higiene pessoal e uma câmera fotográfica de uso pessoal. Produtos novos, lacrados ou em grande quantidade podem perder essa caracterização e passar a ser tributados.
Mesmo quando o valor total das compras está dentro dos US$ 500,00, existem limites quantitativos para determinados produtos. Essa regra serve para evitar a caracterização de comércio ou revenda. Bebidas alcoólicas, por exemplo, são limitadas a até 10 unidades por pessoa. Relógios podem chegar a até 5 unidades, e perfumes devem estar em quantidade compatível com uso pessoal. Ultrapassar esses limites pode resultar na retenção da mercadoria, ainda que o valor esteja dentro da cota.
Quando o total das compras ultrapassa a Cota de Isenção Terrestre, o viajante não perde o direito de trazer os produtos, mas passa a ter a obrigação de declarar o excedente e pagar o imposto correspondente, que é de 50% sobre o valor que ultrapassar os US$ 500,00. Declarar corretamente é sempre a alternativa mais segura e econômica.
Em resumo, a Cota de Isenção Terrestre é o pilar central da fiscalização na Ponte da Amizade. Conhecer seu valor, suas regras e seus limites permite ao viajante planejar melhor as compras em Ciudad del Este, evitar surpresas na Aduana e garantir um retorno tranquilo ao Brasil.

Declaração de Bens: Como Funciona a E-DBV
A Declaração de Bens do Viajante (E-DBV) é o procedimento oficial da Receita Federal do Brasil utilizado para regularizar a entrada de mercadorias no país quando o valor das compras feitas no exterior ultrapassa a Cota de Isenção Terrestre. Para quem retorna ao Brasil pela Ponte da Amizade, compreender o funcionamento da E-DBV é essencial para evitar multas, apreensões e atrasos durante a fiscalização.
Sempre que o total das compras realizadas em Ciudad del Este exceder os US$ 500,00 permitidos pela cota, o viajante deve obrigatoriamente realizar a declaração. Esse processo não impede a entrada dos produtos no Brasil; ao contrário, garante que tudo seja feito de forma legal, transparente e segura, respeitando as normas da Aduana.
Principais pontos sobre a E-DBV
• Quando declarar: sempre que o valor das compras ultrapassar a Cota de Isenção de US$ 500,00
• Momento correto: a declaração deve ser feita antes de passar pela fiscalização da Receita Federal
• Forma de preenchimento: totalmente online, pelo site ou aplicativo oficial da Receita Federal
• Quem deve declarar: qualquer viajante que exceda a cota, independentemente do meio de transporte
Após o preenchimento da E-DBV, o viajante informa seus dados pessoais, descreve os bens adquiridos, declara os valores pagos e apresenta as notas fiscais correspondentes. Com base nessas informações, o próprio sistema da Receita Federal realiza o cálculo automático do imposto devido, o que torna o processo mais rápido e transparente.
Como funciona o cálculo do imposto
A alíquota aplicada é de 50% sobre o valor que exceder a cota
Exemplo prático:
• Compras totais: US$ 800
• Cota de isenção: US$ 500
• Valor excedente: US$ 300
• Imposto devido: 50% de US$ 300 = US$ 150
Após o pagamento do imposto, as mercadorias são liberadas e podem ingressar no Brasil de forma regular, sem riscos futuros de penalização.
Declarar corretamente pela E-DBV é sempre a alternativa mais vantajosa. Quando o viajante declara espontaneamente, ele paga apenas o imposto devido. Já a omissão de bens pode resultar em multa adicional de 50% sobre o valor excedente, além do imposto, o que praticamente dobra o custo final das compras.
Pontos de atenção importantes
• Notas fiscais: devem ser guardadas e apresentadas, pois comprovam o valor real das mercadorias
• Ausência de nota: permite que a Receita Federal arbitre o valor do produto, geralmente para cima
• Boa-fé: declarar demonstra transparência e costuma agilizar o atendimento na Aduana
Em resumo, a E-DBV é uma ferramenta criada para facilitar a regularização das compras feitas no exterior. Para quem cruza a Ponte da Amizade, utilizá-la corretamente é a maneira mais segura de trazer mercadorias acima da cota, evitar multas e retornar ao Brasil com tranquilidade e dentro da lei.
🚫 O Risco da Omissão e os Itens Proibidos
Na Aduana da Ponte da Amizade, a omissão de bens é considerada uma das infrações mais graves cometidas por viajantes que retornam de Ciudad del Este ao Brasil. Ocorre quando o viajante ultrapassa a Cota de Isenção e tenta entrar no país sem declarar corretamente as mercadorias à Receita Federal do Brasil. Esse comportamento, além de ilegal, quase sempre resulta em prejuízos financeiros maiores do que o simples pagamento do imposto devido.
A fiscalização na Ponte da Amizade é intensa justamente por se tratar de uma das fronteiras comerciais mais movimentadas do país. A Receita Federal utiliza critérios de análise de risco, histórico de viagens, tipo de mercadoria, meio de transporte e inspeções físicas para selecionar quem será fiscalizado. Por isso, confiar na ideia de “passar despercebido” é um erro comum — e arriscado.
Os principais riscos da omissão de bens
• Multa administrativa elevada: Quando a Receita Federal identifica mercadorias acima da cota que não foram declaradas, aplica-se uma multa de 50% sobre o valor excedente, além do imposto obrigatório.
• Prejuízo financeiro dobrado: Como o imposto também é de 50% sobre o excedente, o viajante pode acabar pagando 100% do valor que ultrapassou a cota, transformando uma economia aparente em grande perda.
• Apreensão de mercadorias: Produtos omitidos podem ser retidos e, dependendo da situação, apreendidos definitivamente, sem direito à devolução.
• Atrasos e transtornos: A omissão pode resultar em retenção para conferência detalhada, abertura de procedimento administrativo e perda de tempo na fronteira.
• Registro de ocorrência fiscal: Em alguns casos, a infração fica registrada, o que pode aumentar o rigor da fiscalização em viagens futuras.
Por isso, declarar corretamente nunca deve ser visto como um problema, mas sim como a forma mais econômica e segura de retornar ao Brasil.
Itens proibidos ou com entrada restrita no Brasil
Além da omissão de valores, muitos problemas na Aduana da Ponte da Amizade ocorrem quando o viajante tenta trazer produtos que não podem entrar no Brasil, mesmo que estejam dentro da cota de valor. A legislação brasileira impõe restrições claras para proteger a economia, a saúde pública e o consumidor.
Exemplos de itens proibidos ou fortemente restritos
• Produtos falsificados ou réplicas: Bolsas, roupas, relógios, perfumes e eletrônicos falsos são proibidos. Esses itens costumam ser apreendidos imediatamente, sem possibilidade de regularização.
• Pneus: A importação de pneus por pessoas físicas é proibida, independentemente da quantidade ou valor.
• Mercadorias destinadas à revenda: Grandes quantidades de produtos iguais ou similares caracterizam finalidade comercial e não uso pessoal, resultando em retenção e possível apreensão.
• Bebidas alcoólicas e cigarros em excesso: Mesmo dentro da cota de valor, quantidades acima dos limites permitidos podem ser barradas, pois indicam intenção de comércio.
• Medicamentos e alimentos; Alguns medicamentos exigem receita médica e autorização da Anvisa, enquanto alimentos podem depender de autorização do Ministério da Agricultura. Sem essas permissões, a entrada é proibida.
A importância das notas fiscais na fiscalização
• Comprovação do valor real: A nota fiscal demonstra quanto foi efetivamente pago, evitando que a Receita Federal estime valores mais altos.
• Evita arbitramento: Sem nota, o fiscal pode atribuir um valor de mercado ao produto, geralmente superior ao preço pago.
• Facilita a liberação: A apresentação organizada das notas fiscais agiliza a fiscalização e reduz questionamentos.
• Segurança jurídica ao viajante: A nota é a principal prova de que a compra foi lícita e realizada dentro das regras.
O melhor caminho: transparência e planejamento
Na prática, tentar omitir informações ou trazer itens proibidos quase nunca compensa na Ponte da Amizade. A Receita Federal está preparada para identificar irregularidades, e as penalidades costumam ser mais caras do que o imposto que seria pago em uma declaração correta.
Planejar as compras, respeitar a Cota de Isenção, evitar produtos proibidos e declarar espontaneamente o excedente são atitudes que transformam a passagem pela Aduana em uma etapa simples da viagem. Informação, organização e transparência são as melhores garantias para atravessar a fronteira de forma legal, segura e sem surpresas desagradáveis.
💡 Dicas de Travessia Segura e Logística
A travessia pela Ponte da Amizade pode ser simples e tranquila quando feita com organização e atenção às regras. Para evitar problemas no retorno ao Brasil e garantir uma experiência segura, algumas orientações básicas fazem toda a diferença.
• Planejamento: defina antecipadamente o que vai comprar e controle os gastos por pessoa para não ultrapassar a Cota de Isenção.
• Lojas Confiáveis: prefira estabelecimentos conhecidos, que emitam nota fiscal válida, essencial para a fiscalização.
• Notas Fiscais: guarde todas as notas de forma organizada, pois elas comprovam o valor real das mercadorias.
• Transporte: veículos, ônibus e vans costumam ser mais fiscalizados; a travessia a pé tende a ser mais ágil.
• Compras de Terceiros: evite transportar mercadorias de outras pessoas, pois isso aumenta os riscos na Aduana.
• Horários: sempre que possível, evite os períodos de maior movimento na ponte.
• Declaração: se ultrapassar a cota, utilize a E-DBV antes da fiscalização para evitar multas.
Seguindo essas recomendações, a passagem pela Ponte da Amizade ocorre de forma mais rápida, segura e dentro da lei, permitindo que o viajante aproveite melhor sua experiência entre Brasil e Paraguai.

Informação, Planejamento e Tranquilidade na Ponte da Amizade
A Aduana da Ponte da Amizade faz parte natural da experiência de quem compra no Paraguai. Longe de ser um obstáculo, ela é um mecanismo de controle que, quando bem compreendido, garante uma viagem mais segura e previsível. O grande diferencial entre uma travessia tranquila e um problema na fronteira está no conhecimento das regras e no planejamento das compras.
Respeitar a Cota de Isenção de US$ 500,00, entender os limites quantitativos, guardar as notas fiscais e utilizar corretamente a E-DBV quando necessário são atitudes que evitam prejuízos financeiros, estresse e perda de mercadorias. Declarar o excedente, quando houver, quase sempre sai mais barato e mais rápido do que tentar omitir informações.
Ao se informar antes de cruzar a fronteira, o viajante transforma a experiência de compras em Ciudad del Este em algo positivo do início ao fim, retornando a Foz do Iguaçu com tranquilidade, segurança e dentro da lei.
Utilize este guia como referência, compartilhe com outros viajantes e atravesse a Ponte da Amizade com a certeza de estar fazendo tudo da forma correta.
